Às vezes ele era meu pai, às vezes eu era mãe dele: ex-assistente conta como era conviver com Mario Quintana

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 30/07/2026 18:00
Às vezes ele era meu pai, às vezes eu era mãe dele: ex-assistente conta como era conviver com Mario Quintana

Foto: via GZH

A ex-assistente pessoal de Mario Quintana, Sandra Ritzel, conta como era conviver com o poeta nos últimos anos de sua vida.

Sandra Ritzel, de 55 anos, trabalhou para o poeta de março de 1986 a junho de 1991, e foi a única pessoa que morou com ele na fase adulta.

Tudo começou com um trabalho escolar, quando Sandra tinha 14 anos e era estudante do colégio Rainha do Brasil.

Ela recebeu uma tarefa que consistia em entrevistar alguém, e escolheu falar com Mario Quintana, que ela conhecia da televisão.

A entrevista foi marcada por meio da recepção do hotel onde o poeta morava, e Sandra levou um gravador e uma caixa de bombons para o encontro.

Quintana era receptivo com colegiais que o procuravam para pesquisas escolares, e brincava que "sou a falta de assunto predileta das professoras".

Sandra e o poeta se encontravam às quartas, e ela levava um doce e recebia um livro de poemas em troca.

Elas iam a cafés ou passeavam pela Rua dos Andradas, e Quintana até realizou palestra no colégio dela e ajudava a corrigir as redações escolares.

Em março de 1986, a relação tornou-se profissional, e Quintana, aos 79 anos, mudou-se do Royal para o Porto Alegre Residence Hotel.

Sandra passava a semana com Quintana e o fim de semana com sua mãe.

Elas acompanhavam o poeta quando precisava ir ao médico ou a algum compromisso, e ela ajudava em funções do dia a dia, como compras no supermercado e idas à lavanderia.

Sandra também servia como "intérprete" em entrevista, ditando ao poeta o que o repórter perguntava, pois a audição de Quintana estava prejudicada naquela altura da vida.

Quando ficava internado, Quintana fazia amizade com os outros pacientes nos corredores e até recebeu convite de casamento de uma paciente que conheceu no hospital.

O poeta esteve lúcido até o fim e sempre se lembrava das coisas, mas respirava com dificuldade e fazia nebulização.

Sandra afirma que Quintana encarava o fim da vida com serenidade e que o poeta havia pedido a seu advogado que orientasse ela profissionalmente.

Ele também custeou os estudos da jovem e a empregou em seu escritório.

A ex-assistente de Quintana preserva acervo com seus livros e considera o poeta um anjo da guarda em sua vida.

Às vezes, Quintana chamava Sandra de "mãe adotiva" ou "filha

Com informacoes de GZH.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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