Apple prepara iPhone dobrável acima de US$ 2 mil em meio a alta de custos
Apple está desenvolvendo um iPhone dobrável que deverá ser comercializado por mais de US$ 2.000, iniciativa vinculada ao aumento dos custos de produção e à escassez global de chips.
A expectativa é que a novidade seja revelada durante o evento de produtos programado para a quarta‑feira, dia 9, quando o vice‑presidente sênior John Ternus apresentará a primeira leva de dispositivos, marcando sua estreia em grande apresentação após a saída de Tim Cook do cargo de CEO.
O projeto já está em fase de desenvolvimento há, no mínimo, oito anos dentro da divisão de hardware da Apple, sob a liderança de Ternus até a semana corrente.
O lançamento traz um risco considerável, pois a empresa precisará convencer os consumidores a aceitar preços mais altos em toda a linha iPhone para compensar as pressões de custo na cadeia de suprimentos, ou então aceitar uma redução nas margens historicamente elevadas.
Nos sete anos em que smartphones dobráveis foram oferecidos por outras marcas, a adesão dos usuários permaneceu limitada, segundo dados de mercado.
Radu Reit, ex‑engenheiro de telas da Apple, apontou que diversos fatores retardaram a entrada da companhia nesse segmento, destacando avanços recentes que aumentam a durabilidade das telas dobráveis ao mesmo tempo em que reduzem os custos de fabricação.
Reit acrescentou que a arquitetura do dispositivo que a Apple pretende lançar já é tecnicamente viável há mais de uma década, mas que, há dez anos, a produção de uma tela dobrável teria custado milhares de dólares; ele também questionou se o mercado era suficientemente amplo naquela época.
Analistas estimam que o iPhone dobrável da Apple será vendido por mais de US$ 2.000 e preveem elevações de preço em toda a gama de iPhones, um teste à tolerância dos clientes.
A empresa decidiu postergar o lançamento do modelo básico do iPhone 18 para o primeiro semestre do próximo ano.
Os smartphones dobráveis correspondem a cerca de 2 % das vendas globais de aparelhos, porém o crescimento desse segmento desacelerou de forma acentuada desde que Huawei e Samsung lançaram seus primeiros modelos em 2019.
A Samsung enfrentou problemas técnicos iniciais, como formação de bolhas e ondulações nas telas, resultando em altas taxas de devolução; a Huawei, por sua vez, adiou seu próprio lançamento em 2019 devido a questões semelhantes.
Apple aposta que seu dispositivo refinado poderá reacender o interesse por esse design de nicho e ampliar sua participação de mercado, seguindo a estratégia de observar concorrentes lançarem versões arriscadas, enfrentarem os problemas e, só então, apresentar uma versão aprimorada.
O trabalho da Apple com tecnologias dobráveis começou antes da ascensão de Cook ao posto de CEO; uma patente de 2011 demonstra o desenvolvimento de um mecanismo de dobradiça, e equipes de engenharia e de telas já realizavam experimentos com tecnologia dobrável em 2018, conforme fontes familiarizadas com o assunto.
Com informacoes de Folha de S.Paulo.

