Análise: Cruzeiro tem pouco tempo para entender atuação por trás de placar mentiroso
Veja os principais lances de Flamengo 2 x 1 Cruzeiro.
O Cruzeiro sucumbiu ao Flamengo e não mereceu, em nenhum momento, passar de fase na Libertadores. O placar de 2 a 1 mascarou a discrepância entre as atuações no Maracanã, e o desafio passa a ser a velocidade de recuperação para olhar adiante.
O empate no Mineirão deixou o favoritismo do Flamengo um pouco maior do que era pela análise fria dos elencos no momento do sorteio. O Cruzeiro precisaria fazer um jogo perfeito no Maracanã, com erro perto de zero e competitividade a mil, se quisesse avançar. Mas o cenário foi oposto.
Nos 45 minutos iniciais, o Cruzeiro foi mero espectador e viu um espetáculo acontecendo diante de seus próprios olhos, tanto pela qualidade do adversário quanto pela própria permissividade. O Flamengo fez o que quis com o jogo desde o primeiro minuto, jogando pelos lados e também criando um “tapete vermelho” estendido pelo meio, finalizando de fora, infiltrando na área e incomodando por cima e por baixo.
O Cruzeiro não encontrava a bola. "Amarga pela postura": Fernanda lamenta eliminação do Cruzeiro na Libertadores.
O setor de meio‑campo praticamente inexistiu para a Raposa. Lucas Romero cometeu erros técnicos no primeiro tempo e, sem a bola, pagava pela exposição no setor. A linha de frente subia desordenadamente a marcação, Gerson não sabia para onde correr, e o argentino (Romero) tinha que percorrer espaços de dois, três ou quatro homens. A conta não fecha, ainda mais diante de um grande time.
As chances se acumularam até o gol de Arrascaeta aos 34 minutos, quando o placar já poderia ter definido o classificado.
Nos minutos finais do primeiro tempo, o Flamengo decidiu respirar no próprio campo e deu ao Cruzeiro a sensação de crescimento, que na prática só se materializou no segundo tempo. Um suspiro de vida.
No retorno do vestiário, a postura do Cruzeiro mudou: passou a pressionar de forma alinhada, roubando bolas, usando seus meias‑centrais e acionando Kaio Jorge em velocidade. O empate chegou rápido, e a resposta negativa do Flamengo dava indícios de que o enredo poderia mudar.
Dono do Cruzeiro, Pedro Lourenço, comentou sobre a eliminação na Libertadores, embora a fala completa não tenha sido transcrita.
Entretanto, tudo isso durou menos de dez minutos, e o controle do Flamengo rapidamente se transformou em gol. Como em um treino de triangulações e finalizações, Lino recebeu de Pedro e marcou o segundo gol.
Os donos da casa evitaram rapidamente o que poderia se tornar um sofrimento maior. No fim, o Cruzeiro teve a bola e encontrou alguns espaços, porém com baixa qualidade para transformá‑los em chances efetivas.
No acumulado, o Cruzeiro foi superior em apenas 10 dos 90 minutos jogados no Rio de Janeiro. Foi amassado em 45 minutos e controlado nos restantes.
O Flamengo soube, em todo o primeiro tempo e depois do segundo gol, que tinha o jogo nas mãos: 2 a 1 foi pouco. Ao Cruzeiro faltou tudo, e em larga escala.
A desorganização coletiva permeia boa parte da análise, pois impediu o time de competir e ainda fez algumas peças jogarem para baixo. Vários nomes estavam técnica e fisicamente abaixo do esperado.
Acostumados a conduzir o jogo, Gerson e Matheus Pereira tiveram um único lampejo, exatamente o que gerou o gol cruzeirense. Deixaram a desejar e não podem se apoiar apenas no domínio coletivo rival para justificar a baixa técnica.
O mesmo vale para os outros jogadores, até Otávio, que tomou decisões erradas ao sair jogando. Jonathan Jesus foi exceção, apesar do erro na linha de impedimento no segundo gol adversário.
Mais do que o resultado, o domínio sofrido no Maracanã é um duro golpe para um time que vinha ascendendo com níveis de coletividade e competitividade. É necessário levantar rápido e entender exatamente o que o placar escondeu para evitar nova decepção contra o maior rival na Copa do Brasil.
Com informacoes de ge.

