Ajuste do salário mínimo para 2027 pode elevar despesas primárias da União em quase R$ 10 bilhões
A projeção de elevar o salário mínimo de R$ 1.621 para R$ 1.741 em 2027 pode acrescentar aproximadamente R$ 49,6 bilhões às despesas primárias da União, segundo cálculo das Consultorias de Orçamento da Câmara e do Senado.
O impacto ocorre no primeiro Orçamento que será executado pelo presidente eleito em outubro, partindo do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027. Cada real acrescentado ao piso gera cerca de R$ 413,2 milhões em despesas adicionais; como a projeção atual representa alta de R$ 120 sobre o piso de 2026, o efeito bruto chega a quase R$ 50 bilhões.
Considerando o aumento de arrecadação previdenciária provocado pelo reajuste, o impacto líquido sobre o resultado primário ficaria em torno de R$ 48,6 bilhões.
O valor de R$ 1.741 ainda é estimado, pois o piso definitivo dependerá dos indicadores usados na regra de reajuste e poderá mudar até o fechamento do Orçamento.
Levantamento da Íntegra Associados estima que 23,4 milhões de empregos formais seriam alcançados pela redução da jornada, reforçando a dimensão social da medida.
Quando o PLDO foi apresentado, em abril, o governo trabalhava com salário mínimo de R$ 1.717 para 2027. A projeção anunciada nesta semana pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, ficou R$ 24 acima. Aplicando a estimativa das consultorias legislativas, essa diferença acrescenta cerca de R$ 9,9 bilhões às despesas vinculadas ao piso.
O salário mínimo serve de referência para aposentadorias e pensões do INSS, Benefício de Prestação Continuada (BPC), abono salarial e seguro‑desemprego, o que amplia o efeito fiscal.
A estimativa oficial atualizada deverá aparecer no Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2027, que precisa ser enviado ao Congresso até 31 de agosto.
O aumento das despesas vinculadas ao mínimo se soma a um problema já previsto para 2027: a compressão dos gastos discricionários. O PLDO estima R$ 274,7 bilhões em despesas discricionárias no próximo ano, dos quais cerca de R$ 57 bilhões deverão ser destinados a emendas parlamentares – aproximadamente 21% do total.
Desse montante, emendas individuais e de bancadas estaduais somariam R$ 44,4 bilhões, enquanto as de comissão alcançariam R$ 12,6 bilhões. Depois de descontadas as emendas e os valores necessários para cumprir os pisos de saúde e educação, as consultorias estimam que as despesas discricionárias efetivamente disponíveis caiam para cerca de R$ 143 bilhões, parcela que financia investimentos, manutenção de órgãos públicos e políticas de escolha direta do governo.
Investidores observam poucas diferenças na frente fiscal entre os dois principais candidatos, mas o desafio para 2027 está na composição do gasto: benefícios atrelados ao salário mínimo crescem de forma obrigatória, enquanto o ajuste fiscal recai sobre as despesas discricionárias. Para quem assumir a Presidência em janeiro, parte relevante do Orçamento já estará comprometida com benefícios, pisos constitucionais e emendas parlamentares.
A projeção de R$ 1.741 representa alta nominal de 7,4% sobre o mínimo atual. O reajuste aumenta a renda de milhões de beneficiários, mas também reduz a margem fiscal disponível para o próximo governo no início do mandato.
Com informacoes de InfoMoney.

