AGU concede 72 horas ao YouTube para remover perfis de médicos falsos alimentados por IA
O Ministério da Saúde identificou 97 perfis que utilizam avatares com aparência humana e se apresentam como médicos ou especialistas entre 1º de janeiro e 10 de julho deste ano, o que motivou a notificação enviada à plataforma.
Esses canais empregam personagens digitais que ostentam qualificações profissionais inexistentes e utilizam linguagem alarmista para conferir autoridade às informações divulgadas. Grande parte dos perfis tem como alvo a população idosa e, além de divulgar orientações de saúde duvidosas, aproveita a suposta credibilidade para comercializar e‑books, produtos ou serviços pagos.
A pasta alerta que esse tipo de conteúdo pode incentivar a automedicação, promover terapias sem eficácia comprovada, atrasar a busca por atendimento profissional e levar ao abandono ou substituição de tratamentos em andamento.
A semelhança visual dos avatares e a forma como se apresentam dificultam a identificação de informações falsas, pois uma figura que aparenta ser especialista pode gerar uma confiança ilusória nos usuários.
A notificação foi enviada na sexta‑feira (4) e a AGU concedeu ao YouTube 72 horas para tornar indisponíveis os conteúdos apontados pelo Ministério da Saúde. Dependendo do caso, a plataforma poderá adotar mecanismos de rotulagem e contextualização para informar que os personagens são artificiais.
Como já relatamos na cobertura do Muse, assistente de IA da Meta que também utiliza avatares humanos para interagir com usuários, a tecnologia de síntese em tempo real tem ampliado os desafios relacionados à desinformação, especialmente no âmbito da saúde.
A AGU ainda instou o YouTube a analisar outros canais e vídeos mencionados no relatório, em conformidade com as regras da plataforma sobre desinformação em saúde e conteúdo sintético, e a implementar medidas que impeçam a disseminação desse material.
A medida integra uma força‑tarefa do governo federal que reúne o Ministério da Saúde, a AGU e a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. Por meio do programa Saúde com Ciência, o ministério monitora redes sociais, verifica informações e encaminha denúncias aos órgãos competentes.
O Ministério recomenda que a população busque informações sobre saúde em fontes oficiais e confiáveis e denuncie conteúdos que possam colocar outras pessoas em risco.
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