Agente da PF afirma que André Mendonça tentou intimidar a corporação e agora enfrenta forte resistência da Contrainteligência
Uma fonte da Polícia Federal, ouvida pela Revista Fórum, classificou como inaceitável a postura do ministro André Mendonça ao tentar descredibilizar a instituição e interferir em sua estrutura, afirmando que a corporação reagirá de forma contundente.
O agente federal, lotado em Brasília, participou da transição entre o final de 2022 e o início de 2023, período em que atuou diretamente no Palácio do Planalto e foi protagonista de uma série de 14 matérias exclusivas publicadas pela mesma revista. Na ocasião, ele denunciou, com antecedência, a articulação golpista que se desenvolvia no Gabinete de Segurança Institucional (GSI) sob o comando do general Augusto Heleno e a mando do presidente Jair Bolsonaro, trama que culminou no evento de 8 de janeiro.
Agora, o mesmo agente rompe o silêncio para relatar o novo confronto desencadeado por André Mendonça, que, segundo ele, determinou apurações baseadas no depoimento do empresário Daniel Vorcaro e tentou arrastar o ministro Alexandre de Moraes e a direção da Polícia Federal para um cenário de suspeitas controversas.
Em declaração direta, o agente afirmou: “Mendonça quis intimidar a PF, e isso nunca vai ser tolerado. Eles vão desconstruir o Mendonça e quem vai fazer isso é a Contrainteligência… Só para lembrar, no gabinete do Mendonça tem um delta lavajatista, o doutor Marcantonio, Thiago Marcantonio Ferreira, que foi assessor do próprio Mendonça quando ele era ministro da Justiça, e agora o Mendonça levou ele para o STF… A PF sabe com quem está lidando”.
O servidor refere‑se à Coordenação‑Geral de Contrainteligência (CGCINT), subordinada à Diretoria de Inteligência Policial (DIP). Legalmente, a unidade tem a função de proteger o conhecimento, salvaguardar operações policiais, inquéritos sigilosos e documentos estratégicos contra acesso não autorizado ou organizações criminosas, além de neutralizar ameaças que possam comprometer a instituição.
Segundo apuração da Revista Fórum, os relatórios de contrainteligência, descritos como robustos, analíticos e repletos de dados, estão sendo encaminhados ao ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal, anexados ao pedido de abertura de investigação feito por Alexandre de Moraes. O objetivo é autorizar a instauração de um inquérito contra André Mendonça, procedimento considerado quase certo e que deve ser aprovado em breve.
Os documentos destacam, entre outros pontos, a conduta de Mendonça no exercício de sua função e, principalmente, a sua inação no caso envolvendo os R$ 61 milhões recebidos de Daniel Vorcaro pelo senador Flávio Bolsonaro, fato ao qual se somou um novo depósito de R$ 8,6 milhões.
A presença do delegado citado pelo agente no gabinete de André Mendonça, agora no STF, lança luz sobre métodos operacionais historicamente conhecidos pela Polícia Federal. O investigador aponta que o delegado, Thiago Marcantonio Ferreira, atuou no Ministério da Justiça durante a gestão de Mendonça no governo Bolsonaro, integrando a Diretoria de Operações, responsável pela inteligência em conjunto com a delegada Marília Alencar, que foi julgada, condenada pela tentativa de golpe de Estado e se encontra presa.
Os relatórios internos da própria Polícia Federal, enviados ao STF e atualmente sob análise do ministro Edson Fachin, revelam a seletividade e a assimetria na tramitação de processos sob a relatoria de Mendonça. Levantamentos da contrainteligência evidenciaram disparidade de prazos impostos pelo ministro conforme o espectro político do investigado. Em casos emblemáticos, a PF constatou que Mendonça levou apenas nove dias para despachar e determinar medidas drásticas n
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Com informacoes de Revista Fórum.

