6G poderá atuar como radar e identificar objetos desconectados, diz especialista brasileiro

Por Viviane Cristina Santos em Rio Verde, GO 04/09/2026 15:23
6G poderá atuar como radar e identificar objetos desconectados, diz especialista brasileiro

Foto: via Canaltech

A chegada do 6G promete ir muito além de velocidades maiores para a internet móvel, ao possibilitar que a própria rede funcione como uma espécie de radar capaz de identificar objetos e pessoas ao redor, mesmo que não estejam conectados.

Essa proposta integra-se a um plano mais amplo de dar novas funções às redes móveis, combinando transmissão de dados com inteligência artificial (IA), sensoriamento e processamento de informações. Como já mostramos na cobertura sobre a expansão do Scam Detection da Google, a integração de IA nas infraestruturas de telecomunicação tem se tornado tendência.

Em entrevista ao Canaltech durante o HackTown 2026, Henry Douglas Rodrigues, gerente executivo de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação do Inatel e do Centro de Competência Embrapii em Redes 5G e 6G (xGMobile), destacou que o 6G e a IA caminharão juntos. Ele explicou que a tecnologia poderá ser usada no próprio funcionamento das redes, enquanto a infraestrutura de telecomunicações oferecerá recursos para aplicações baseadas em IA, permitindo que parte do processamento de algoritmos aconteça mais perto de onde os serviços são utilizados. “Hoje, a IA depende muito de data centers, que ficam concentrados em determinados locais e muitas vezes em regiões distantes. A rede 6G vai servir como plataforma de computação para algoritmos de IA”, afirmou Rodrigues.

Segundo o especialista, essa mudança pode transformar o papel das operadoras: além de fornecer conectividade, elas poderão oferecer capacidade computacional por meio da própria infraestrutura das redes móveis.

Outra frente de pesquisa para o 6G é o sensoriamento integrado à comunicação, conhecido pela sigla ISAC (Integrated Sensing and Communication). A ideia é aproveitar os próprios sinais da rede para obter informações sobre o ambiente, conferindo à infraestrutura uma função semelhante à de um sensor. Na prática, isso poderia permitir que a rede identificasse a presença e a localização de objetos e pessoas dentro da área de cobertura, mesmo que eles não estejam conectados.

Rodrigues ilustrou uma aplicação no trânsito: “Hoje, esses sistemas dependem de você ver o carro. Tem que ter uma câmera que identificou o outro veículo. Se o sistema buscar essa informação da rede, você conseguiria ver um carro que está vindo no cruzamento antes de ter o contato visual com ele”. Essa capacidade também poderia ser usada para monitorar máquinas e apoiar cidades inteligentes e a indústria.

No Brasil, as pesquisas sobre 6G começaram antes mesmo de o padrão internacional estar totalmente definido. O Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel) trabalha com a nova geração desde 2020 e coordena o projeto Brasil 6G, que inclui uma plataforma voltada à experimentação e comparação de diferentes tecnologias. Entre as propostas estão soluções pensadas para necessidades brasileiras, como ampliar a conectividade em áreas rurais e remotas. “O papel do Inatel nesse contexto é influenciar o processo regulatório e ter tecnologias inseridas no padrão que foram desenvolvidas aqui”, afirmou Rodrigues.

Entretanto, transformar essas pesquisas em redes comercialmente disponíveis dependerá de fatores econômicos. Operadoras ainda buscam retorno dos grandes investimentos feitos na implantação do 5G, o que pode influenciar o ritmo de adoção do 6G. Embora 2030 seja usado como horizonte para o início da era comercial do 6G no mundo, a existência da tecnologia não garante adoção imediata ou uniforme em todos os mercados.

Enquanto o 6G não chega oficialmente, vale revisitar a evolução das redes móveis sem fio ao longo da história para entender como chegamos a essa nova fase de integração entre comunicação, IA e sensoriamento.

Com informacoes de Canaltech.

Viviane Cristina Santos

Sobre o Autor: Viviane Cristina Santos

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